O dia de um gestor de restaurante quando falta alguém
A cascata real de um pedido de dispensa de última hora: chamadas, grupos de WhatsApp e o serviço que sofre. A dor por dentro.
8h07
A mensagem chega enquanto o café ainda está a arrefecer: «desculpa, hoje não consigo ir». Sábado, casa cheia reservada, uma pessoa a menos no piso. O serviço do jantar começa agora, doze horas antes da primeira mesa.
A cascata
Primeira chamada: o extra habitual. Não atende, deve estar noutro serviço. Segunda: a colega que às vezes ajuda. Está de folga na terra. Terceira: o grupo de WhatsApp dos extras da zona. Mensagem, espera, duas respostas vagas, uma pergunta sobre o valor, silêncio. Quarta chamada, quinta. Cada tentativa tira minutos ao que sobrou de preparação.
Entretanto, as reservas continuam a entrar e ninguém está a confirmar. O fornecedor liga. A cozinha pergunta quantos somos. O gestor está a fazer recrutamento em vez de gerir o serviço.
O resultado
Das dez vezes, seis resolve-se a meio: alguém aparece, mas chega atrasado ou sem conhecer a casa. Duas resolves com o gestor no próprio piso a compensar a falta. Duas perdem-se: serviço lento, mesas vazias na espera, avaliações com uma estrela a menos que ninguém explica.
O custo que não aparece na contabilidade
Ninguém lança no sistema as duas horas de chamadas, o jantar adiado do gestor, o stress que passa à equipa. Mas paga-se na mesma: em foco perdido, em serviço pior, em gente que amanhece cansada de resolver o mesmo problema.
Como devia ser
Publicar o turno uma vez e que ele chegue a quem faz essa função e trabalha nessa zona, com o aviso a entrar no telemóvel de cada um. Em minutos, não em chamadas. Depois, escolher a pessoa certa entre quem respondeu e seguir a vida. É exatamente o trabalho que a tempjobs faz: publicar, avisar, escolher.